É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo." (Clarice Lispector)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mãe cria coragem e manda pai embora.



Nunca soube nada da vida de minha mãe. Se ela tinha pais, se tinha irmãos, primos,.
Se os tinha,eles nunca nos visitavam.Minha mãe era uma mulher forte, bonita e endurecida pela vida.
Não me lembro de ter recebido dela , um carinho, um beijo, um afago, ou uma palavra terna.
Nem eu e nem meus irmãos. A vida a deixou assim, se casou jovem com um homem duro. Que trabalhava de chapa de caminhão.Mas todo dinheiro que ganhava gastava com a bebida. Quando voltava para casa ainda agredia minha mãe e nos agredia.
Me lembro de um desses episódios, .
Ele chegou em casa bêbado, começaram a discutir, me lembro que eu e meu irmão estávamos sentados em
um canto da cozinha. Só me lembro dos gritos, de ambos.Até que ele começou a agredir minha mãe. 
Ela chorava e gritava, mas ninguém vinha socorrer.
meu irmão mais velho , na época com 8 anos, desesperado pegou um cabo de vassoura e deu na cabeça do meu pai, ele desmaiou.
Minha mãe chorava muito, meu irmão mais novo gritava desesperado, eu o acolhi em meus braços e o acalmei, tinha tanto cuidado com ele, afinal era um bebe, apenas um ano de idade.
Minha mãe se acalmou e meu pai ficou lá no chão até que acordou.
Nos deu uma surra, e saiu. Certamente para beber mais...
Não nos importamos em ter apanhado, o importante foi ter tirado minha mãe das garras daquele monstro.
E essa é apenas uma das muitas vezes que ele a agrediu e nos agrediu.
Não me lembro bem dele. Depois desse episódio algo em minha mente bloqueou.Só me lembro de minha mãe mandando ele embora e ele ajuntando as coisas e partindo.
Lembro da sensação de alivio.Mesmo sabendo que a miséria que ele colocava em casa faria falta. 
Porem eu e meu irmão prometemos um pro outro que trabalharíamos para ajudar.
Meu irmão já vendia picolé na rua, naqueles carrinhos ...Um dia saímos nós dois pra vendermos juntos, fomos abordados por uma turma de moleques que alem de nos baterem roubaram nosso dinheiro.
Chegamos em casa chorando, meu pai nos deu uma surra e disse:Apanha na rua, apanha em casa.pra aprender a bater.
Ele foi cruel e por isso ficamos felizes quando sumiu pra sempre.
Só ha nesta vida uma pessoa pela qual sinto raiva,desprezo... ele.


Sandra

9 comentários:

Chica disse...

Ótimo que tua mãe teve essa força! beijos,tudo de bom,chica

don vito andolina disse...

Hola Sandra, que belleza en tus letras,un lujazo, placer enorme leerlas, he regresado para quedarme en tú bella casa, muchas gracias, pasa buen jueves, besos.

marcinha disse...

bom do nosso caso minha mãe não o mandou embora,,,nos é que crescemos e partimos de qualquer jeito...linda a sua coragem de contar isso é muito bom,falo por experiencia o outro blog que tinha pois esse é novo eu falava da minha luta com a doença do meu marido e dos desiquilibrios dele e me ajudou muito entao quando tudo passo fechei o blog e comecei novo ciclo,espero vc lá,beijos sandrinha.

ღPat.ღ disse...

Compreendo muito bem minha amiga. É muito triste isso. Não vou pedir para tu esquecer estas situações de tristeza, porque não funciona bem assim... e sei que é quase impossível. Ficamos marcadas na alma, mas tua luta ao lado da sua mãe e irmãos mostrou que é possível ser feliz mesmo com estas dores. Hoje és uma vitoriosa de tudo e cada vez mais a alegria, felicidade e amigos estarão contigo.

Um beijo especial...

Luciana Klopper disse...

Vicios destrói uma familia e uma vida, né! Q caminho dificil!

Marinha disse...

Que texto forte e cheio de emoção!
As mulheres são fortes e tua mãe é um belo exemplo para todas nós.
Bjo, querida.

M@ria disse...

Sem nexo
Vou virando a página
Reescrevo a história
Pra apagar da memória
Os sonhos que vivi...

Márcia Cristina M

Beijos & Flores no seu dia! M@ria

Elaine Barnes disse...

Acredito que toda mulher, por mais ignorante que seja, quando se casa é porque sentiu algo de bom naquela pessoa para dar esse passo. Creio que ela amargou e endureceu,pois não casou pra apanhar. Muito triste,pois os adultos de um jeito ou de outro se defendem,mas, os filhos...ah,esse são marcados e covardemente espancados porque não podem se defender. Muito triste.

Pérola disse...

Muito difícil dizer alguma coisa nessa hora mas...nossa amiga que terrível. Eu já tive algumas questões parecidas mas ñ precisamente com bebidas e sim com mulheres,meu pai era muito mulherengo e já perdeu a cabeça com a minha mãe algumas vezes por conta das amantes.
Olha,que bom que ele foi embora apanhar sem saber bem o porque nenhum ser merece.
Te acompanhando minha linda.
Beijos.